visita a casa de Lampião

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Passando na orla da praia de Ponta Negra em Natal RN fui surpreendido por Lampião, não aquele, Virgulino legítimo. Mas um mirrado, nem tão valente e de óculos sem lentes, trajando roupas típicas e uma espingarda de cabo longo. De plástico? Bem não quis conferir não.

Convidou-me para conhecer o armazém de artesanatos local, um calor insuportável, era noite, tinha acabado de jantar e logo li no vidro da loja estava uma placa “Entre, ar condicionado” o corpo tomou a frente sem eu ter tempo a pensar. Lampião o anfitrião abriu porta e tirou da jaqueta de couro alguns bilhetinhos de papel jornal com diversos nomes de Maria, sorteou e me entregou um deles e me disse sua Maria é a Sandra, ela irá te atender no que precisar, olhe o respeito e cuidado com sua peixeira.

– Maria Sandra mostre a peixeira pro cabra aqui e lhe convide a entrar, gritou ele! Logo despontou Sandra quer dizer Maria Sandra, trajando uniforme de época, sem mais nem menos fez a recepção mostrando logo o tamanho da peixeira na cintura, sacou-a e riscou o chão do armazém.

– Bem vindo viajante, esteja à vontade em nosso humilde armazém, não se avexe não, estou aqui para lhe ajudar. Aceita um suco de caju ou experimentar nossas típicas castanhas?

– Estou bem obrigado, mas o suco de caju eu aceito sim!

– Pois bem, cabra me siga até nosso cantil.

Todo tipo de artesanato que se podia imaginar ali estava, e assim foi acontecendo à mesma recepção a quem ali entrava alguns turistas mais tímidos outros mais sorridentes acabavam entrando no clima do armazém, que uma recepção maravilhosa, organização exemplar e claro as obras dos artesãos de cair o queixo.

Entrei apenas para conhecer, acabei levando alguns artigos, claro como todo paulista… Chorei por algum desconto, mas logo a Maria Sandra disse:

– Maria Greice Kelly, devo mostrar o desconto pro rapaz?

– Olhe Maria Sandra! Pronto! Mostre-lhe o desconto.

Novamente Maria Sandra sacou a peixeira da bainha deixando claro o tamanho do desconto.

– Deste jeito vou ter que sair pela porta dos fundos, não? Brinquei.

– Não se avexe não meu rapaz, pela sua simpatia de viajante darei um desconto com toda certeza, falarei a Lampião.

Fiquei encantado com o atendimento do armazém. Em poucos minutos me fez viajar no tempo e me sentir como um personagem da história. Os presentes foram embalados com folha de jornal da mesma forma que as mercadorias eram embaladas nas antigas mercearias, a única diferença é de que passam cartão de crédito.

Maria Sandra me acompanhou até a saída e deu sinal para Lampião, tudo ok, elogiou o respeito na loja e disse:

– É de São Paulo né? Qualquer coisa procure a Maria Sandra e aqui é assim: Maria Sandra só tem uma vice! Se houver outra eu lhe passo a peixeira!

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