Tem que ser hoje?

vicio3

por Robson Joaquim

Há muito tempo abandonei o instantâneo. Refiro-me ao café solúvel, com o tempo aprendi a passar um verdadeiro café. Questão de gosto, sabor eu acho, particularmente encaro-o como um ritual, uma arte! Assim como aqueles que possuem um desejo apreensivo por cervejas artesanais, charutos, vinhos e até mesmo fazer sua própria pizza em casa.

É o prazer de me sentir ocupado, saber que estou reservando um tempo suficiente para fazer aquilo. Sinto-me como se não perdesse as origens, sentir-se útil, procuro certo regozijo nos pequenos detalhes, loucura? Bem eu não acho que seja, se você reparar a sua volta o mundo é instantâneo, tudo gira em torno de uma velocidade que se busca todos os dias superá-las.

Algum tempo atrás apontavam os primeiros estudos que delineava o que seria uma doença: A ansiedade da informação, a informatose (dependência e excesso de informação) ou normose (crenças por hábitos que se acham naturais). E hoje não nos surpreendemos vendo pessoas ao nosso lado, no agudo da doença: olhos estalados, boca aberta, dispersos do mundo e vidrados na tela do computador e celulares, sem tempo para nada nem para dizer um bom dia!

Nossas relações pessoais estão praticamente na sua total conexão com o instantâneo, no mundo do imediato, não é só por questão de praticidade, mas sim uma espécie de comodismo mesmo, percebe-se que as pessoas ao visitar uma as outras ficam desesperadas por um sinal Wi-fi, se souber que você não possui acesso à rede, esquece pela sua visita. Concorda?

Aos poucos, pessoas estão perdendo seu talento natural, aquele que sabe desenhar, há muito tempo não pega um lápis e um papel, conheço pessoas que como dizem “mãos de fada” na cozinha, mas que hoje preferem ao sabor de um fast-food ou de um instantâneo, falta de tempo? Jamais! Na verdade inconscientemente muito bem planejado para se ficar mais tempo dependurado na rede social.

Li ontem mesmo que em breve uma casa poderá ser impressa em menos de 24hs, aonde chegamos? Tecnologia e velocidade, a velha guerra entre maquina e o homem. Usufruir das tecnologias providas da sabedoria humana é fantástico, mas convenhamos que tenha seus limites.

Que tal hoje ser você mesmo, quebrar regras impostas e voltar por algum momento na “Pré-história”? Pegue um bom livro, folhei-o e sinta o cheiro das folhas, pode ser um jornal, sinta o papel em suas mãos, arrisca fazer aquela receita da vovó?  Quem aceita um charuto? Uma dose de vinho? Claro um bom café!

Resgate em você sua aptidão, não se sinta preso às tecnologias, não se perturbe porque alguém não curtiu seu post, tenha prazeres, particularidades, não abra mão de poucos hábitos na vida real, você é um ser humano, viva! Desligue-se do virtual por um momento, se os apressadinhos te impuserem um Agora! Já!  Não tenha pressa, experimente dizer: Espere. Primeiro vou passar um café.

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