Um Faz de Conta Verde Amarelo

Faz de Conta

por Robson Joaquim

Enquanto nas grandes metrópoles brasileiras, a população convive com um terror diário, em Brasília, os nossos governantes vivem numa espécie de “mundo das fantasias”, um faz de conta. Estamos gastando dinheiro construíndo estádios para apenas trinta dias de futebol, e limpando favelas porque o Papa tem que passar por elas em sua visita, fora isso, aqueles cidadãos nunca teriam a tal pacificação acontecendo no quintal de casa.

Se o Brasil fosse um país sério, o assassinato da dentista, queimada viva dentro de seu consultório, poderia abrir uma discussão a respeito dos níveis de violência nas metrópoles. Mas, Infelizmente foi apenas mais um assassinato, um número para as estatísticas, mais uma quadrilha presa entrando para presídios e alguns voltando, pois tinham sido soltos pela justiça.

E já que se tem dinheiro sobrando para tudo isso, também deve ter dinheiro para fazer uma reforma no nosso sistema prisional, não? A atual situação dos presídios é uma das desculpas dos que são contra mudanças. Esses se esquecem de que as duas estão ligadas, e fazem pior quando deixam ficar como está. Em pesquisas recente nos telejornais, a grande maioria dos brasileiros é a favor da redução da maioridade penal. Mas segundo políticos e magistrados, esbarra em emenda da constituição. Quando se trata da vontade do povo, a nossa constituição mais parece um vaso chinês, daqueles que deve se manter bem longe de todos, pois corre o risco de quebrar.

O mais engraçado é que dias atrás, alguns deputados em menos de um minuto aprovaram uma PEC (Projeto de Emenda a Constituição), dando ao Legislativo, plenos poderes para rever atos do Supremo Tribunal Federal. Uma perigosa ruptura entre os poderes da nação, dois pesos e duas medidas? Quem sabe. Não importa se a presidente Dilma ou o ministro da justiça é contra a mudança, ou alguns deputados e senadores, eles não foram colocados lá pelo povo para expressar a opinião pessoal deles. Quando agem desta maneira, transformam o Brasil numa ditadura. É preciso sempre saber o que a maioria da população está querendo.

E não viver em um país do faz de conta. Faz de conta este que temos uma educação de qualidade, faz de conta este que nosso sistema de saúde é de primeiro mundo, faz de conta este que as pacificações nos morros do Rio de Janeiro ocorreram porque estavam precisando acontecer, um faz de conta que nossa segurança pública permite que você vá num cinema, ou pare num sinal fechado depois da meia noite.

Precisamos sair de casa com a certeza de que voltaremos vivos. E os responsáveis por muitas das vezes, vivem se escondendo da população para não dar explicações. Quando colocam o pé fora do mundo do faz de conta, tornan-se tão frágeis como um vaso chinês.

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